Rendimento do FGTS supera a inflação pela primeira vez em dez anos

Ganho creditado nas contas dos trabalhadores foi maior que o IPCA em 2017, o que não acontecia havia 10 anos. Resultado ainda vai crescer com a distribuição de parte dos lucros obtidos com a aplicação de recursos do fundo

A rentabilidade nominal do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FTGS) chegou a 3,61% em 2017 e superou a inflação do período, de 2,95%, o que não ocorria desde 2007. Com isso, os trabalhadores tiveram ganho real de 0,55%. Entretanto, o resultado ainda deve ficar maior após a distribuição de metade do lucro do fundo, que precisa ser feita até 31 de agosto de 2018, conforme determina a legislação. Os cálculos levarão em conta o saldo disponível nas contas individuais até 31 de dezembro de 2017.

Apesar de superar a inflação, a rentabilidade do FGTS foi inferior à da poupança, que, em 2017, chegou a 6,8%.

O rendimento básico do fundo é determinado pela aplicação da Taxa Referencial (TR) mais juros de 3% ao saldo das contas. Em 2016, isso totalizou 5,11%, ficando abaixo da inflação, que alcançou 6,29% naquele ano. Entretanto, após a distribuição de R$ 7,28 bilhões de lucro — feita em 2017 —, os ganhos dos trabalhadores totalizaram 7,14%.

O lucro do FGTS em 2017 será conhecido em julho, quando a Caixa Econômica Federal, responsável por administrar os recursos, publicar o balanço do fundo. No ano passado, 245,7 milhões de contas receberam parte do lucro do FGTS, e a medida beneficiou 88 milhões de trabalhadores.

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O economista Alexandre Cabral explicou que o resultado nominal do ano passado foi positivo, mas só ocorreu porque a inflação surpreendeu positivamente para baixo. Essa situação não deve se repetir em 2018, antes da distribuição do lucro, porque a TR será igual a zero. Assim, a rentabilidade básica será de 3%, enquanto as perspectivas do mercado apontam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegará a R$ 3,95% neste ano. “A poupança terá uma remuneração próxima a 4,9%. O trabalhador se beneficiou em 2017, somente a distribuição de resultado pode elevar a rentabilidade do FGTS”, disse Cabral.
Desconhecimento

Apesar da sequência de resultados positivos do FGTS, muitos brasileiros desconhecem que o saldo das contas é remunerado e nem sequer acompanham se os depósitos são realizados ou verificam qual é o montante acumulado ao longo do ano. É o caso de Armin Reinehr Junior, de 24 anos. Após ser demitido, no ano passado, ele precisou de dois meses para sacar os recursos. Junior não sabia o saldo e tinha a expectativa de retirar até R$ 1 mil. Apesar disso, recebeu R$ 4,7 mil, recursos que o ajudaram a se manter durante os seis meses em que ficou sem trabalho.

A vendedora Isadora Garcêz, de 21 anos, também não acompanha os depósitos e o montante que possui no FGTS. Ela disse que as frequentes trocas de emprego impedem que o saldo das contas cresça. No ano passado, sacou R$ 1 mil das contas inativas que possuía e usou os recursos para consumir. “Às vezes, rendia mais, às vezes, rendia menos, dependendo do tempo que eu fiquei nas empresas. Confesso que não acompanho o saldo e não sei quanto tenho acumulado. Mas, se o rendimento foi maior que a inflação, é uma coisa boa”, afirmou.

Os trabalhadores podem consultar os valores depositados nas contas pela internet, no site da Caixa, ou pelo telefone 0800-726-2017. Além disso, é possível buscar atendimento no aplicativo do FGTS para smartphones. Correntistas da Caixa podem acessar o internet banking. O saque do dinheiro, no entanto, só é possível nos casos permitidos por lei, como aposentadoria ou três anos de inatividade na conta. O FGTS pode ser usado também na compra da casa própria.

(correiobraziliense.com, 18.01.18)

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