Mercado projeta retomada do emprego, e ritmo de contratações deve aumentar

Empresas começam a procurar profissionais de diversas qualificações, embora persista cenário de desemprego alto. Há boa perspectiva para jovens, os mais afetados pela crise

São Paulo — Se os indicadores de emprego ainda revelam situação dramática no país, com um contingente de 13,1 milhões de trabalhadores sem renda formal, a boa notícia é que o ritmo de contratações vai aumentar em 2018. Projeções do Ministério da Fazenda mostram que o país criará 2,5 milhões de postos de trabalho até o fim do ano, o melhor resultado desde 2010, em diversas atividades e para profissionais de diferentes níveis. “Ao contrário de outros períodos, quando havia vagas apenas para setores específicos e determinadas qualificações, em 2018, os empregos estão disseminados por todas as áreas e salários”, diz o consultor de carreiras e headhunter Ramiro Kitayama.

O cenário é animador até para os que enfrentam o quadro mais dramático. De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), praticamente 30% dos jovens brasileiros de até 25 anos apenas estudam ou não fazem nada – é a taxa mais alta desde 1991. Agora, no entanto, ela começa a ser combatida.

Há alguns dias, o Grupo Talenses, consultoria de recrutamento e seleção, lançou marca especializada em inserir profissionais em início de carreira no mercado de trabalho. Trata-se da Mappit, que acompanha a tendência do grupo de dar suporte especializado a momentos diferentes na vida de um profissional. Segundo Rodrigo Vianna, CEO da Mappit, em 2018 haverá aumento no número de vagas para os profissionais iniciantes, aqueles que se enquadram na faixa salarial de até R$ 8 mil. Melhor ainda: o executivo afirma que a retomada se dará em um período curto e ainda no primeiro semestre.

As projeções da empresa mostram que as áreas ligadas ao setor de tecnologia são as mais promissoras, graças especialmente ao avanço de startups e fintechs, que já apresentam um volume de contratações considerável. Também há demanda crescente para profissionais de finanças e das áreas de compras e de supply chain das empresas.

As oportunidades não se limitam aos jovens. De acordo com o Estudo de Perspectivas de Carreiras e Profissões do PageGroup, que consultou 2 mil executivos e 15 mil profissionais, 50% dos gestores no Brasil pretendem contratar colaboradores em 2018. Não é só. O levantamento também concluiu que 82% das companhias pretendem manter ou ampliar seus quadros neste ano.

Estudo realizado pela empresa de recrutamento Hays chegou a um resultado parecido. Segundo o levantamento, nove em cada dez empresas pretendem contratar em 2018. Além disso, a pesquisa revelou que 72% das contratações serão para vagas permanentes, as mais disputadas.

Alguns setores são especialmente pulsantes. Responsável por salvar a economia do país em 2017 (segundo estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, o setor contribuiu com 23,5% do PIB brasileiro, a maior participação em 13 anos), o agronegócio tem sido um grande gerador de vagas.

Entre 2016 e 2017, as contratações no campo aumentaram 25%, segundo a consultoria Michael Page. E a tendência é de alta para os próximos anos. As posições mais solicitadas estão nas áreas de operações (50% das contratações), finanças (30%) e vendas (20%), e os salários se concentram na faixa entre R$ 6 mil e R$ 25 mil. Um outro estudo, da consultoria Exec, traz resultados ainda mais impressionantes: crescimento de 40% de vagas entre 2016 e 2017 – ou seja, os resultados vieram em plena crise no Brasil.

Não é preciso muito esforço para entender o que as pesquisas apresentadas acima demonstram. Elas são um sinal inequívoco de que o país virou a página da crise. Por mais que os indicadores do emprego ainda sejam escandalosos – 13,1 milhões de desempregados equivalem à soma da população de Áustria e Dinamarca –, o primeiro passo começou a ser dado. “Ninguém vai ser maluco de dizer que a situação não é grave”, diz o consultor Ramiro Kitayama. “O importante é olhar para a frente. E o horizonte mostra um cenário muito mais positivo.”

Os campeões

Estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT), renomada universidade dos Estados Unidos, listou os cargos mais promissores para os próximos anos. Confira alguns deles:

» Técnico em energia renovável
Com o avanço das energias renováveis no mundo, técnicos de energia solar fotovoltaica e de turbinas eólicas serão alguns dos profissionais mais procurados nos próximos 10 anos

» Engenheiros de Inteligência Artificial (IA)
As empresas especializadas em IA têm dificuldades para encontrar profissionais capacitados para levar seus projetos adiante – e esse ramo do conhecimento é um caminho sem volta.

» Cuidador
Com o aumento da expectativa de vida, a procura por assistência à saúde doméstica e auxílios em cuidados pessoais vem crescendo de forma expressiva. Estima-se que, no mundo, 3 milhões de vagas serão abertas nessas áreas na próxima década.

(correiobraziliense.com, 2.04.18)