Governador anuncia o fim do racionamento de água a partir de 15 de junho

Decisão de acabar com o racionamento foi anunciada um ano e quatro meses após o início de uma crise hídrica histórica no Distrito Federal

O racionamento de água no Distrito Federal chega ao fim em 15 de junho. O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, faz o anúncio na manhã desta quinta-feira (3/5), no Palácio do Buriti. O rodízio começou no início de 2017, quando o nível dos reservatórios que abastecem Brasília ficou abaixo da média histórica.

Para Rollemberg, a data escolhida garante segurança hídrica para a população. A expectativa do governo local é a de que até novembro, período em que a estiagem acaba, a barragem do Descoberto deve estar com 21,9% da capacidade total. “Tenho certeza que a nossa população adquiriu novos hábitos e, daqui para frente, vamos usar de forma racional esse bem precioso que é a água”, frisou o governador.

Racionamento há um ano e 4 meses

Em 16 de janeiro de 2017, moradores de Ceilândia, do Riacho Fundo 2 e Recanto das Emas inauguraram o cotidiano de cortes. Em um primeiro momento, apenas as cidades abastecidas pelo reservatório do Descoberto – cerca de 1,5 milhões de pessoas, enfrentaram o racionamento. Após 43 dias, os brasilienses que recebem água da barragem de Santa Maria, que contempla cerca de 24% dos moradores da capital, começaram a enfrentar o rodízio.

Na série de reportagens Brasília na seca: um ano sem água, publicada entre 16 a 20 de dezembro de 2017, o Correio mostrou o impacto do rodízio de abastecimento na população da capital federal.
Mesmo com a implementação da medida, o nível das barragens caiu ao longo de 2017. Em novembro, o reservatório do Descoberto chegou a 5,3% da capacidade total, e o de Santa Maria, marcou 21,9%, os piores índices da história.

Atualmente, a capacidade dos reservatórios está acima da média prevista. De acordo com o último monitoramento, realizado pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Adasa) divulgado nesta quinta-feira (3/5), o reservatório do Descoberto está com 91,1% da capacidade total e o de Santa Maria com 56,5%.

Impacto

O consumo de água no Distrito Federal caiu 12% em 2017, comparado ao ano anterior. Antes do racionamento, a média de uso de água, que era de 147 litros diários por pessoa, caiu para 129. Mesmo com a diminuição, o número ainda é superior ao considerado ideal pela Organização Mundial da Saúde (OMS): 110 litros de água por pessoa/dia.

O rodízio de cortes também impactou as contas da Caesb. Com a diminuição do consumo de água, o faturamento da empresa também caiu. O caixa em 2017 fechou com R$ 110 milhões a menos do que no ano anterior. Para tentar segurar as contas, a companhia solicitou um revisão tarifário extraordinário, pedindo aumento de 9,69% na tarifa da conta de água. A Adasa negou o pedido, instaurando o valor de 2,99% para o reajuste anual.

Nesta quarta-feira (2/5), o governador Rodrigo Rollemberg determinou que a Caesb não cobre o reajuste tarifário, e solicitou que a Procuradoria-Geral do DF apresente um recurso administrativo à Adasa para suspender a resolução que autorizou o aumento.

A decisão dividiu a opinião dos brasilienses. A servidora pública Iliane Fonseca, 38 anos, acredita que deveria ser feito um cronograma para o fim do racionamento. “Poderiam liberar apenas para os comércios, que têm mais dificuldade em controlar o uso. Depois de um tempo, para as residências. A necessidade por água nos estabelecimentos é maior. Entrar em um banheiro de restaurante, por exemplo, e não ter água na torneira para lavar as mãos é muito ruim. Dentro das nossas casas, é diferente. Temos o próprio controle da situação”, disse.

Já o cabeleireiro Renato Ramos, 32, comemorou a notícia. “Durante o período de racionamento, passei por muitas dificuldades no meu salão. Por mais que eu tentasse economizar água, sempre tinha uma hora em que ela acabava. Acredito que esses problemas acabarão no próximo mês. Vou poder trabalhar com mais tranquilidade”, contou.

(correiobraziliense.com, 3.05.18)