Ibaneis: ‘Quero ter a melhor saúde, educação e segurança do Brasil’

Ao programa CB.Poder, o governador eleito Ibaneis Rocha (MDB) destaca que priorizará as três áreas na gestão que começa em janeiro

A agenda do emedebista Ibaneis Rocha depois da vitória na eleição para o governo do Distrito Federal está apertada. Entre reuniões com autoridades, entrevistas e conversas com sua equipe, o advogado começou a desenhar o futuro governo e a elencar as prioridades do mandato. Ontem, em entrevista ao programa CB.Poder — parceria do Correio com a TV Brasília — Ibaneis falou sobre as metas e projetos que espera colocar em prática a partir de janeiro.

Na entrevista, o governador reafirmou propostas de campanha, como o pagamento da terceira parcela do reajuste para os servidores, os aumentos para a segurança pública e a possível extinção do Instituto Hospital de Base, além da reestruturação da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis). Segundo Ibaneis, educação, saúde e segurança serão as prioridades. “Nós precisamos melhorar essas áreas. Quero ter a melhor saúde, educação e segurança do Brasil e, de preferência, do mundo.”

O processo de transição, revelou Ibaneis, será comandado pelo vice Paco Britto. “A partir do momento em que as coisas começarem a andar, eu vou tomando as decisões acertadas, porque não dá para errar mais em momento nenhum no DF.” Ele espera ainda construir uma boa relação, a partir de agora, com o atual chefe do Executivo local, Rodrigo Rollemberg. “Durante a campanha, os ânimos se acirram e isso é normal. Eu acho que, em algum momento, eu extrapolei e em outros ele também extrapolou, mas da minha parte isso ficou para trás. Quero ter nele um parceiro, uma pessoa com quem eu possa me aconselhar”, assegurou.

Na entrevista, o governador reafirmou propostas de campanha, como o pagamento da terceira parcela do reajuste para os servidores, os aumentos para a segurança pública e a possível extinção do Instituto Hospital de Base, além da reestruturação da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis). Segundo Ibaneis, educação, saúde e segurança serão as prioridades. “Nós precisamos melhorar essas áreas. Quero ter a melhor saúde, educação e segurança do Brasil e, de preferência, do mundo.”

O processo de transição, revelou Ibaneis, será comandado pelo vice Paco Britto. “A partir do momento em que as coisas começarem a andar, eu vou tomando as decisões acertadas, porque não dá para errar mais em momento nenhum no DF.” Ele espera ainda construir uma boa relação, a partir de agora, com o atual chefe do Executivo local, Rodrigo Rollemberg. “Durante a campanha, os ânimos se acirram e isso é normal. Eu acho que, em algum momento, eu extrapolei e em outros ele também extrapolou, mas da minha parte isso ficou para trás. Quero ter nele um parceiro, uma pessoa com quem eu possa me aconselhar”, assegurou.

Temer
Fui buscar algumas coisas que o DF precisa. Por exemplo, a questão da Junta Comercial que aqui é federal e atrapalha muito as micro e pequenas empresas do DF. Recebi resposta positiva de que ela será distrital agora, estão providenciando a modificação e a legislação para isso. Fui também buscar recursos. Temos a demanda do Fundo Constitucional que diz respeito aos aposentados que são pagos por ele. Se conseguirmos modificar isso, vamos ter mais R$ 300 milhões, aí dará para cumprir todas as promessas que foram feitas, porque aposentados seriam pagos pela União e liberaria o fundo para contratar novos policiais e melhorar os salários da PCDF e PMDF. O presidente se comprometeu em avaliar.

Bolsonaro
Ainda não conversei com o Jair Bolsonaro, mas quero tentar agendar um horário com ele semana que vem em Brasília. Tenho certeza de que ele vai ter toda boa vontade para nos ajudar também. Nós temos que cuidar da segurança do DF. Quero que, de preferência, ele me indique o secretário de Segurança, com essa parceria e integração, conseguiremos melhorar essa área. Eu quero ter dele essa indicação porque ele conhece muito da área. Mas, se não quiser, pode deixar que eu faço. Acredito que ele indicaria, sim, um militar. O que seria muito bom para o DF. Tivemos generais que foram secretários de Segurança e funcionou muito bem.

Polícia Civil
É compromisso meu de campanha respeitar a lista tríplice para escolha do diretor da Polícia Civil, mas quero que eles me ajudem, porque não conheço bem o perfil dos candidatos. Quero analisar a vida de cada um deles, ver se há ações judiciais e qual é a gravidade dessas ações. Vou fazer a nomeação ouvindo todos eles. Quero uma polícia mais técnica e o menos política possível. Tem de ser alguém que tenha interlocução com todas as áreas. Eu pedi para o Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol) e o Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do DF (Sindepo) fazerem uma lista com os mesmos nomes. Se tiver um nome que coincida e agrade a todas as categorias, melhor. Porque ele vai ser chefe da Polícia Civil como um todo. Não pode ser algo que tenha atrito e briga.

Transição
Vou colocar como coordenador da transição o meu vice, Paco Britto. Ele tem entendimento com todos os partidos, conhece todos os presidentes partidários. Ele estará ali como meu olhar. A partir do momento em que as coisas começarem a andar, eu vou tomando as decisões acertadas, porque não dá para errar mais em momento nenhum no DF. Quero acompanhar toda a transição, escolhendo as pessoas ao longo do período. Tem de ser pessoas que sejam reconhecidas nas suas áreas e não tenham processo de corrupção. Serão secretários com esse perfil.

Deficit fiscal
Eu pedi ao pessoal nosso de auditoria — a partir do André Clemente, que será o secretário de Fazenda — para começar a analisar. Não vou fazer governo olhando para trás. Estou assumindo o governo para resolver os problemas e não quero ficar falando do passado. Mas, pela análise que faço, nós vamos ter ainda uma boa quantidade de débitos existentes. Temos aí a terceira parcela do reajuste e todo retroativo, a transferência de impostos que não estão lançados, as parcelas de precatórios que não foram pagas. Tudo isso é débito. Só não estão contabilizados. Eu, pelo jeito, vou receber uma cidade muito ruim do ponto de vista da infraestrutura. Esse ajuste que ele (Rollemberg) tanto fala que fez paralisou a cidade toda, que está feia e temos muito para fazer pelo DF.

Orçamento de 2019
Pretendo participar da aprovação do orçamento de 2019. Acredito que o Rollemberg vai nos ajudar a fazer essas alterações no Orçamento para que a gente possa cumprir o que prometemos na campanha. Ele é um democrata, é uma pessoa que gosta dessa cidade e eu conto com a colaboração do governador.

Rollemberg
Não tenho dúvida de que teremos uma boa relação. Nós sempre tivemos boa relação pessoal. Durante a campanha, os ânimos se acirram e isso é normal. Eu acho que, em algum momento, eu extrapolei e, em outros, ele também extrapolou, mas da minha parte isso ficou para trás. Quero ter nele um parceiro, uma pessoa com quem eu possa me aconselhar, tanto com ele quanto com todos os outros ex-governadores. Todo mundo tem o direito de ser ouvido. Para quem quer fazer um governo olhando para o futuro, a melhor coisa é errar menos. E você erra menos quando olha os erros dos outros.

Saúde
Nós temos aqui um grande problema no DF que são as liminares concedidas para que a rede privada atenda a pacientes que não conseguem ser atendidos pela rede pública. E a rede privada está sem receber isso. O que tenho conversado com eles é que vamos organizar esses atendimentos, de modo que a gente zere essas filas e faça o pagamento durante todo o ano. Isso vai fazer com que se acabe com filas de cirurgias. Quero dar uma zerada na fila dos hospitais com ajuda da rede privada. Enquanto isso, nós vamos organizar a rede pública do DF. Recompor a atenção básica dos postos de saúde e centros de saúde, que atendem a 70% da nossa população. Vamos recompor equipes dos hospitais para normalizar o atendimento, com uma gestão descentralizada, dando poder aos administradores.

Hospital de Base
Eu pretendo acabar com o IHB. Eu li um processo do Ministério Público do Trabalho em que são descritos vários erros nas contratações e demonstra que não há transparência. Não podemos ter ilhas de excelência no DF, eu escolho os melhores profissionais, pago de forma diferenciada e digo que ali está tudo funcionando… Temos o SUS, que tem de funcionar de forma integrada. Não quero nada sem transparência no meu governo. Vou colocar um bom secretário de Saúde, com interlocução com todas as carreiras e logo abaixo vou colocar gestores de qualidade para que a gente tenha uma gestão efetiva. Acho que nós podemos usar organizações sociais (OS) fora do SUS. Eu quero criar as policlínicas, há recursos federais para isso e elas poderiam ser geridas por OS.

Servidores
No orçamento, tem R$ 600 milhões para pagar a terceira parcela do reajuste, que é o que todos estão cobrando. Em relação aos retroativos, quero verificar, negociar e fazer um cronograma para pagar ao longo dos quatro anos. Tem três áreas que vou priorizar dando reajustes privilegiados: saúde, educação e segurança. Nós precisamos melhorar essas áreas. Quero ter melhor saúde, educação e segurança do Brasil e de preferência do mundo.

Câmara Legislativa
Não tenho trabalhado com a CLDF sobre isso (presidência da Casa) ainda. Fui procurado por alguns que têm interesse e disse para cuidarem da montagem das comissões. Elas talvez sejam mais importantes, porque lá tramitam os projetos. São coisas realmente do interesse do governo e da cidade. Eu vou deixar caminharem um pouco e depois a gente avalia.

Transporte público

Temos problemas seríssimos, como a questão do transporte que está judicializada. Corremos o risco de ter um colapso no transporte, se a licitação for anulada. Empresário nessa área não trabalha com dinheiro próprio. Trabalha com dinheiro que ele busca na rede bancária e eles já não estão conseguindo recursos para renovar a frota de ônibus. Temos outros problemas, como o Centrad, em Taguatinga. Preciso daquele prédio. Eu quero sentar com o MP para que a gente libere aquilo e quero levar grande parte das secretarias para ele. Não quero levar tudo, porque quero manter dentro das administrações regionais uma parte disso, para que as pessoas não precisem se deslocar tanto.

Parcerias
Quero ver se conseguimos criar uma agência apartada da Secretaria de Cultura, que cuidaria do meio cultural e condições técnicas para a população. Turismo para buscar grandes empreendimentos e formular essas PPPs todas aqui para que a gente possa colocar Brasília no circuito turístico nacional. Temos de vender nossa cidade. Quero analisar o projeto do estádio. Quero verificar junto ao Tribunal de Contas para que se corrijam os erros, se houver, para começar a trabalhar.

Mudança na Agefis
Quero mandar um projeto transformando essa Agefis e acabando com essa figura do mal que se criou no DF. Até para o bem de todos os fiscais, que são muito malvistos, vou transformá-la numa agência do bem que vai ajudar a população. Farei isso descentralizando e atuando nas administrações. Aí, sim, é preciso aumentar o número de fiscais. O trabalho tem de ser preventivo. Não tem de deixar construir. Hoje, deixam construir 10 mil casas e depois escolhem 10 para derrubar. Isso é errado.

Livre comércio
Levei também para o presidente Michel Temer a ideia de modificação do Estatuto das Cidades para criar a nossa região metropolitana. É uma medida que vai solucionar grande parte dos problemas do DF e do Entorno. A criação da zona de livre comércio libertará o DF da dependência econômica. Seria nos mesmos moldes da Zona Franca de Manaus. Você traz os produtos sem tributação e, a partir daí ,você leva para outros locais e faz Brasília, cidade criada por JK para integrar o Brasil, ser um grande HUB (centro de conexão) de distribuição. O nosso aeroporto tem como trabalhar com cargas, isso vai gerar empregos. Vamos ter uma outra história no DF.

(correiobraziliense.com, 31.10.18)