Centrad: Ibaneis quer quitar dívida de R$ 1,1 bi e mudar GDF em 2019

Governador eleito reuniu-se com o presidente da Caixa Econômica Federal nesta terça-feira (6/11) e iniciou estudos para resolver o imbróglio

O governador eleito Ibaneis Rocha (MDB) tem promovido uma maratona de reuniões com dirigentes de órgãos públicos locais e nacionais. Novato na política brasiliense, tenta se aproximar das autoridades públicas e tratar de pautas de interesse da sua futura gestão. No último encontro desta terça-feira (6/11), com o presidente da Caixa Econômica Federal, Nelson Antônio de Souza, ele discutiu as dívidas do Centro Administrativo (Centrad).
Segundo Ibaneis, o objetivo é quitar os débitos – que somam R$ 1,14 bilhão – com as instituições financeiras e trazer o controle do espaço todo para o Governo do Distrito Federal (GDF). De acordo com o advogado, o Executivo local tem uma dívida de R$ 970 milhões com a Caixa e uma de R$ 170 milhões com o Santander. Ele quer iniciar a transferência dos servidores em março de 2019.

O governador eleito disse que foram apresentados quatro projetos para resolver a questão do Centrad, hoje judicializada. O que mais lhe interessou é o de compra do imóvel, construído a partir de uma parceria público-privada (PPP). “Vamos negociar com a redução de juros para que os valores diminuam e um financiamento para que a gente tenha capacidade de pagamento que não comprometa tanto o orçamento”, afirmou.

Para Ibaneis, essa seria a saída que garantiria prazo suficiente para mudar as secretarias e encerrar os contratos de aluguel sem prejudicar o orçamento. Os estudos foram iniciados, nesta terça, com a conversa com o presidente da Caixa, e a previsão é de terminá-los até o fim da transição. “Tudo isso para que, no dia 1º [de janeiro], a gente já tenha uma solução para esse problema”, concluiu.

O emedebista revelou que também pretende criar e instalar a Universidade Distrital no local, no primeiro ano de gestão. “A ideia é começar o projeto de mudança e desocupar imóveis ocupados. Vou calcular a quantidade de servidores”, declarou. Outra parte de funcionários públicos seria alocada nas administrações regionais.

Denúncias
O imbróglio envolvendo o Centrad dura até hoje e vem desde o início de 2015, quando a Justiça suspendeu o habite-se concedido pelo governo de Agnelo Queiroz (PT), nos últimos dias de seu mandato, por supostas irregularidades na construção. Em 2017, foi criada uma força-tarefa após virem à tona denúncias de executivos da empreiteira Odebrecht em delações premiadas e acordos de leniência no âmbito da Operação Lava Jato.

Delatores afirmaram que Agnelo, o ex-governador José Roberto Arruda (PR) e o ex-vice-governador Tadeu Filippelli (MDB) teriam recebido propina pela obra. Todos negam. Diante dos indícios de fraude, pagamentos de propina e superfaturamento, o GDF alegou que o contrato deveria ser cancelado por apresentar irregularidades desde o nascedouro da parceria público-privada.

Reuniões
Na tarde desta terça-feira (6/11), Ibaneis encontrou-se com a presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), conselheira Anilcéia Machado, o vice-presidente de Governo do Banco do Brasil, José Eduardo Pereira Filho, e o presidente da Inframérica, Jorge Arruda. Pela manhã, ele já havia se reunido com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Raimundo Carreiro.

No TCDF, Ibaneis disse que pretende destravar os processos parados no órgão há muito tempo. Segundo ele, o tribunal tem alertado sobre erros nos editais do governo. “Pretendo corrigi-los para que a gente possa gerar mais legalidade”, afirmou. O futuro chefe do Executivo local também disse que estuda a criação de duas secretarias no próximo ano: de Transparência e de Governança.

Já no Banco do Brasil, o emedebista foi pedir recursos para infraestrutura e desenvolvimento do DF, como mobilidade urbana. “Discutimos como o GDF pode usar o Fundo Constitucional, que tem cerca de 30% do valor devolvido por falta de projetos. Também falamos sobre a construção do anel viário norte, no qual o banco tem R$ 100 milhões para investir no próximo ano”, explicou.

Aeroporto
Ibaneis também fez uma passagem rápida no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB) – onde está instalada a equipe de transição – para encontrar o presidente da Inframérica. O governador eleito pleiteou a construção de um aeroporto de cargas para criar uma área de livre comércio. “Ele vai viajar para a Argentina hoje, para tratar dos orçamentos do próximo ano, e pedi para que ele inclua esse projeto”, contou.

(metropoles.com, 7.11.18)