Policiais e professores formam metade da nova Câmara Legislativa do DF

Dezesseis categorias profissionais formarão a próxima legislatura, com peso maior para a segurança pública e a educação. Entre distritais, federais, senadores e suplentes, homens e brancos são maioria entre os eleitos no Distrito Federal

A nova Câmara Legislativa será representada por pelo menos 16 categorias profissionais. Um quarto dela será ocupada por integrantes das forças de segurança. Foram eleitos seis deputados distritais vindos da Polícia Civil, militares dos Bombeiros e da Aeronáutica — o dobro da atual gestão. Os futuros parlamentares se elegeram com apoio das corporações e apoiados em pautas como o combate à violência e, segundo especialistas, caso consigam se unir, formarão a bancada mais forte da Casa.

O meio educacional também dobrou de tamanho e terá forte representatividade na próxima legislatura, com seis professores eleitos, sendo dois da rede pública. Mas o diálogo pode não ser tão fácil, pois o grupo divide-se entre tendências de direita, esquerda e centro, com visões diferentes sobre tópicos polêmicos, como o Escola Sem Partido. O terceiro maior conjunto será o do empresariado, com três nomes, que prometeram em campanha levar ao Legislativo local pautas voltadas ao incentivo ao empreendedorismo. Na atual formação da Câmara, a maioria dos distritais declararam ser empresários — no total, seis.

O crescimento na quantidade de professores e membros de forças de segurança pode estar relacionado à descrença dessas categorias com o governo de Rodrigo Rollemberg (PSB), segundo o professor de ciências políticas da Universidade Católica de Brasília (UCB) Creomar de Souza. “Os grupos perceberam a necessidade de representatividade no poder para lutar em defesa de seus interesses; com isso, lançaram diversos nomes na busca pelo pleito”, explica.

O especialista avalia que os concorrentes aproveitaram o interesse da população em relação às pautas representadas por esses segmentos profissionais. “A sociedade se mostrava preocupada com temas como a segurança pública e a educação, e os candidatos aproveitaram isso para relacionar seus nomes a essas áreas, fazer promessas e garimpar votos”, explica. Exemplo disso é a votação do delegado Fernando Fernandes (Pros), que chefiava a 19ª DP (Ceilândia Norte) e recebeu 29.420 votos. Além dele, fazem parte do grupo da segurança os policiais civis Reginaldo Sardinha (Avante) e Cláudio Abrantes (PDT), o militar da Aeronáutica Iolando (PSC), o bombeiro Roosevelt Vilela (PSB) e o PM Hermeto (PHS).

Mesmo de corporações diferentes, há uma possibilidade de os distritais eleitos se converterem em uma bancada, pois cinco deles farão parte da base de Ibaneis Rocha — apenas Roosevelt, do PSB de Rollemberg, afirmou que terá postura independente na Câmara. “Ainda não dá para afirmar se eles farão alianças ou não, ainda mais por serem novos nomes na política. Mas há mais chances de uma coesão formada pela segurança do que pela educação, setor em que os distritais têm um discurso que diverge”, analisa Creomar. Reginaldo Veras (PDT), Leandro Grass (Rede), João Cardoso (Avante), Daniel Donizet (PRP) e Jorge Vianna (Pode) integram o grupo dos educadores.

Religião e formação

Vinte e um dos futuros distritais são graduados. Chico Vigilante (PT) e Valdevino Barcelos (PP) têm ensino fundamental incompleto, e Martins Machado (PRB), ensino médio completo. O último deles é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus e foi o mais votado destas eleições no DF, com 29.457 votos. É o segundo pleito consecutivo em que o candidato da Universal foi o mais votado — em 2010, Julio Cesar (PRB) esteve nessa posição.
Mesmo assim, apenas metade do grupo de líderes religiosos da Casa será mantida. Delmasso (PRB), pastor da Sara Nossa Terra, voltará em 2019. Bispo Renato (PR), da Igreja Assembleia de Deus Campo do Guará, e Sandra Faraj (SD), do Ministério da Fé, não se reelegeram. Julio Cesar garantiu uma vaga na Câmara dos Deputados.

(correiobraziliense.com, 12.11.18)