JAMAL BITTAR: “Ali Babá e os ladrões”


A delação premiada do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, condenado à mais de 400 anos de cadeia, atingiu com petardo a caixa preta do Sistema “S”. Cabral diz em delação premiada que Vital do Rêgo, Raimundo Carreiro e Bruno Dantas (ambos ministros do Tribunal de Contas da União) são abastecidos por pagamentos mensais de propina para fazerem vistas grossas do esquema de corrupção ancorado à décadas no conjunto de entidades. Bruno Dantas mantém um processo no fundo da gaveta que destitui o atual presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Roberto Trados que não poderia ter assumido o cargo com contas reprovadas pelo TCU. O Ministério Público Federal (MPF) vem com lupa acompanhando os processos de interesses do Sistema “S” engavetados por ministros abastecidos pelo “propinoduto”. O expresidente da Fecomercio-RJ Orlando Diniz, preso no esquema Cabral, também é delator.
As atenções do MPF estão voltadas à todas as Fecomércios nos demais estados. No Distrito Federal, o presidente Jamal Jorge Bittar da Federação das Indústrias de Brasília (FIBRA), que faz parte do Sistema “S” foi apontado pela diretoria do Sindicato dos Empregados em Entidades de Assistência Social e Formação Profissional do Distrito Federal (SINDAF-DF) como um braço omisso que mantém um forte esquema de corrupção responsável pelo derrame de centenas de milhares de recursos do Sistema no DF. Enriquecendo diretores, conselheiros e até políticos com o dinheiro da entidade.

Reunião presidida na sede da FIBRA por Jamal Bittar e diretores do SESI e SENAI acompanhada por conselheiros, foi lavada à roupa suja trazendo à tona esquemas de corrupção usando o Instituto Euvaldo Lodi, IEL (entidade que integra o “Sistema Fibra”). Um folhetim divulgado pelo SINDAF-DF que cobra do presidente Jamal Bittar a transparência e a omissão de um forte esquema de corrupção em Brasília foi o estopim para a divulgação dos altos salários pagos pela FIBRA sem justificar os dez anos de afastamento dos diretores demitidos por processos irregulares. A Justiça do Trabalho e o Tribunal de Contas diluíram em horas extras fixas a indenização, fazendo com que os salários aumentassem de forma impactante.
Empresários que trabalharam em campanhas políticas nas eleições de 2018 no DF ameaçam denunciar Jamal, que financiou campanhas de candidatos ao Palácio do Buriti com Caixa 2 da IEL. Durante a reunião, Jamal manda recado para ex-dirigentes e ameaça diretores da atual gestão dizendo que tem uma “caixa de ferramentas” capaz de comprovar com documentos o forte esquema de corrupção nos cofres da Federação das Indústrias de Brasília. O SINDAF-DF exigiu de Jamal que abrisse a “caixa de ferramentas” e denunciasse os corruptos. Diante disso, começou a guerra velada por parte do presidente da FIBRA que procurou as mídias televisivas e digitais para divulgar uma versão que o Tribunal de Contas da União e a Justiça do
Trabalho julgam ser improcedentes e fazem questionamentos quanto aos recursos geridos pela diretoria atual.

Em áudio e degravação periciados que o site QuidNovi (quidnovibrasil.com) teve acesso, Jamal denuncia desvios de recursos e mordomias de dirigentes que começam na gestão anterior e termina em sua gestão.
Além disso, omite diretores ligados diretamente à ele que enriqueceram de forma meteórica com o dinheiro da entidade. Um deles, Albano Esteves de Abreu, fiel escudeiro, executivo de Bittar e responsável pela gestão das áreas integradas do Sistema FIBRA desfruta de uma faraônica mansão avaliada em mais de 10 milhões de reais adquirida com os recursos oriundos do Sistema “S” e conta com a omissão de seu padrinho

Boquirroto, durante a reunião sem saber que estava sendo gravado, Bittar ameaça gestores adversários usando palavras de baixo calão, deixando flagrante para o TCU a omissão e a participação no “propinoduto”.
A reunião que perdurou por três horas contou com o desabafo de dirigentes que sugeriam um basta nos chamados “caráter deformados” que sangram os cofres do sistema. Jamal engoliu à seco, pois um dos dirigentes é considerado o executivo e braço direito na sua gestão. Logo, Albano Esteves pode ser um dos motivos pelos quais Jamal não abre a “caixa de ferramentas”. Seria um tiro no pé.


Leia abaixo trechos periciados da reunião de Jamal Bittar com dirigentes do SESI e SENAI na sede da FIBRA:

“No ano passado eu atendi os sindicatos com valor 50% maior do que a CNI transferiu do que em dois anos e meio, ok? Quer esse número se divirta com ele. Essas orgias passadas foram promovidas e nós {inaudível} e
eu não queremos pagar essa conta, aliás se quiser que abramos a caixinha, que é o que vai restar e essa caixinha é complicada, e é onde eu me desculpei antes, inclusive eu vejo, nós vemos lá na CNI alguns patrocínios inexplicáveis” — revela Bittar.
“Incluíam aquelas orgias que existia que aquelas, como é que tinha dinheiro para isso? De viagens milionárias para frequentador de puteiro, desculpe a expressão, mas é fato”— esbraveja Bittar.
“Ela sabe o que que andaram aqui eu consigo te fazer com comprovação operações aqui absolutamente suspeitas patrocinadas na origem e hoje a instituição tem que pagar […] ninguém queira minha caixa de ferramenta aberta” — diz Bittar omisso. Com tantos segredos guardados por Bittar, a caixa preta é pressionada pelo Tribunal de Contas da União e Ministério Público Federal a trazer à tona os responsáveis pelo sangramento dos cofres do Sistema “S”. Pelo visto, a batalha entre SINDAF-DF e Jamal Bittar pode acabar mais cedo que o esperado, responsabilizando à todos pela omissão dos crimes.